Terça-feira, Julho 05, 2011

Saudade

A saudade bate
quando a gente esquece
que saudade existe.

Segunda-feira, Setembro 14, 2009

Castañeda

- Desde que resolveu vir ao México, devia ter deixado de lado todos os seus receios mesquinhos - disse ele, muito severo. - Sua decisão de vir devia tê-los vencido. Veio porque quis. É assim que agem os guerreiros. Já lhe disse várias vezes: o meio mais eficaz de se viver é como guerreiro. Preocupe-se e pense antes de tomar qualquer decisão, porém, uma vez tomada, siga seu caminho, livre de preocupações e pensamentos; haverá mil outras decisões ainda à sua espera. É assim a maneira do guerreiro.
- Acredito que eu faça isso, Dom Juan, pelo menos parte do tempo. Mas é muito difícil ficar-me lembrando.
- Um guerreiro pensa em sua morte quando as coisas se turvam.
- Isso é ainda mais difícil, Dom Juan. Para a maioria das pessoas, a morte é muito vaga e remota. Nunca pensamos nela.
- Por que não?
- Por que pensar?
- Muito simples - disse ele. - Porque a ideia da morte é a única coisa que modera os nossos espíritos.

Terça-feira, Julho 01, 2008

Qualquer

Qualquer dia desses nossos sonhos vão se cruzar
como o tempo, vácuo entre dois segundos

Qualquer dia desses nossos olhares vão se encontrar
como peças de um quebra-cabeça

Qualquer dia desses nossas almas vão se unir
como a terra que absorve água

Qualquer dia desses nossos corpos vão se ligar
como átomos de nitrogênio

Qualquer dia desses nós vamos gozar juntos.
Nossas mentes irão sintonizar uma mesma estação,
na frequência desfragmentada dos seres unificados
Qualquer dia desses.

Sábado, Junho 28, 2008

Poema de amor I

Houve, sem dúvida, amor
Quantas noites em confissão
Tantas conversas à toa até o amanhecer
Quantos sorrisos e abraços sem motivo

Houve, sem dúvida, amor
Quantos passos de mãos unidas
Demos nós dois caminhando de bem com a vida
Quanta curiosidade ardia sob os nossos lençóis

Houve, sem dúvida, amor
Não me ignores, ó flor, assim tão friamente
Não impeça-me de tê-la, menininha

Pois eu não quero andar sem tuas mãos
Não sei dormir sem teus lençóis
Nem sem sorrir sem ter motivo

Sexta-feira, Maio 30, 2008

Seu Lunga no divã

- Nada como um dia após o outro.
- Nunca vi dia nadar, muito menos um após outro.

Corredores Invisíveis

Eureca! Einstein descobriu o corredor de vôo, Adolfo Pontes descobriu o corredor poético. É, existem corredores poéticos. Pontes afirma que o termo designa o caráter estético das obras de arte, caráter escolhido pelos artistas na hora da criação - ou seja, o corredor poético do qual ele faz uso. O cientista do cotidiano também alega que os corredores são públicos.
"É possível compor ao estilo dos Los Hermanos, por exemplo. Não é propriedade deles tocar e compor como eles. É possível encontrar um compositor que nunca ouviu uma música deles e componha, se expresse, de forma semelhante. O que determina influência, ou até mesmo cópia, é a legitimação que se impõe no momento em que você repercurte nacionalmente levando consigo a bandeira desse ou daquele corredor. A legitimidade é deles, o estilo não." completa.

Terça-feira, Abril 22, 2008

Narrativa de enredo psicodélico aleatório I

À noite, desesperado, desperto e confundo-me com a imagem da sombra no teto. Pergunto-me: serei eu a imagem do homem ou o retrato do feto? Reimerjo em meus sonhos. Em um enorme deserto, observa-me, ao longe, meu ego. Inadvertidamente, como um lampejo de luz, solapa meu universo psicodélico um onirócrita travestido, indagando-me confuso:
- Eu parafuso ou eu prego?
Perplexo, perguntei-lhe:
- De que porra estás falando, velho escroto?
- O certificado de conclusão do curso de análise onírica e a placa premiando-me pelo trabalho com a mosca que achava que era um tatu. Quero pendurá-los na parede. E aí, parafuso ou prego?
- Até maluco, na minha cabeça, eu carrego... Me deixa dormir, vai.

Quinta-feira, Abril 17, 2008

Luto

Morre hoje uma parte de mim e as palavras, frios símbolos gráficos, não sabem chorar.

Terça-feira, Abril 01, 2008

Se possível, compreenda

Ser incompreendido, certas horas, me agrada. Quanto prazer existe em saber que nem todo imbecil pode te compreender!
Sejamos incompreendidos, pois.
Todavia... quanta solidão abarcam os incompreendidos. Viva a solidão!

Quarta-feira, Março 26, 2008

Filosofia Bichana

- Tem algum inseto por aqui.
- (...)
- Não o vejo, mas posso ouvi-lo.
- Tapa os ouvidos que ele vai embora.